Dizem que é o primeiro dia da semana, eu discordo. Geralmente estréias me provocam alguma coisa no estômago, uma ansiedade, vontade de roer as unhas... Francamente, se eu roer as unhas no domingo é porque o tédio já corroeu a minha alma ou o Grêmio tá perdendo.
Eu não me sinto bem aos domingos, ponto. Via de regra eu faço programas que me distraem da sensação que ele me provoca, mas no fim do dia bate aquela angústia, aquele pânico de estar totalmente entediada, que só ele me proporciona. Domingo de manhã se salva, se estiver fazendo aquele solzinho... Se bem que nesse horário eu geralmente estou voltando pra casa, fedendo a cigarro e vodka barata, querendo morrer na minha cama pelo menos até umas cinco da tarde. Acho que é por aí que o domingo atinge seu ápice de tédio supremo. É pelas cinco, cinco e meia que descobrimos o quão gordos estamos e prometemos uma dieta para segunda – e por que não – até a famosa academia. Descobrimos que ninguém nos ama porque somos muito chatos e não conseguimos pensar em nada decente pra fazer. Descobrimos que o Faustão é o gordo mais chato e repetitivo e que as videocassetadas existem desde que nascemos, só mudaram os patrocinadores.
Engraçado que é uma sensação que vem da infância. Eu não fazia nada no domingo, ficava presa naquele apartamento, minha irmã era muito nova pra me servir de brinquedo e nem cachorro eu tinha. Eu me lembro de querer fugir de casa, descobrir o mundo, arrumar um namorado, ir ao clube, encontrar um pônei alado, mas ficava naquele quarto olhando pela janela. Até hoje me bate uma vontade de pegar o primeiro avião pra qualquer lugar no mundo, aos domingos.
A diversão vinha à noite, quase brigava com meus pais pra poder assistir Sai de Baixo até o fim, e assim como hoje, eles desistiram de me fazer desligar a televisão mais cedo.
E eu não sei o que é, até hoje eu tento descobrir. Porque segunda de madrugada já não é um problema pra mim, parece que a órbita dos planetas volta ao normal, os gatos fazem sexo no telhado (as pessoas também, sexo no domingo é deprê) e eu confirmo a minha tese de que não adianta lutar contra ele.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
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