“Acho que é ele, não tenho bem certeza, mas o cabelo é inconfundível”. Ela estava sob o efeito do álcool e em meio a luzes e fumaças de cigarro, tentava discernir o rosto dele da multidão. Mas isso durou um minuto, nem isso. Ela havia usado aquele cara pra esquecer o imbecil da faculdade, o grosso que brigava sempre por motivos banais. Ela sempre fazia isso, cada desilusão era curada com uma nova boca e algumas latas de cerveja.
Mas aí eles resolveram se falar por mensagem, ela falou sobre a festa, ele perguntou por que ela não foi falar com ele, essas coisas. Até que ele resolveu arriscar e perguntou se ela não queria ver um filme. No apartamento dele. Na cama dele. Com o cachorro dele. Ela hesitou e resolveu dormir, ainda não sabia a resposta. No dia seguinte pediu a opinião das amigas, e como ninguém agüentava mais o imbecil grosseiro da faculdade, mandaram ela arriscar. “Vaaai, qualquer coisa me liga.”
Tá bom. Lá estava esperando. Meio estranho ter que caminhar até a outra esquina, mas é que ficava mais fácil pra ele, então lá estava ela. Que carro grande. Entrou.
Eles não tinham muito assunto, afinal só tinham ficado uma vez, não eram amigos nem nada. O que ela sabia sobre a vida daquela pessoa? Tentava puxar uns assuntos, olhava pra cima, pros lados, ficavam em silêncio. Aquele silêncio constrangedor de “o que diabos eu estou fazendo aqui, pára tudo que eu quero descer!”. Mas ela persistiu, afinal, não tinha nada a perder. Nem gostava dele, nem sentia saudades, nem lembrava da cara dele pra falar a verdade. Tentou fazer ele falar alguma coisa, ele disse que era meio quieto. Se ela fosse uma flor, teria murchado. Se fosse um pau, então...
Chegaram ao apartamento. Naquele momento, mal ela sabia que essa cena se repetiria por tantos dias, que ele daria sinais de vida nas quartas, que chamaria pra sair nas sextas e que sumiria no resto do final de semana, até chegar quarta-feira de novo. Os pais dele nunca estavam em casa, o irmão tava sempre comendo a namorada que usava calça de moletom cinza, enquanto eles viam filmes. Depois perceberam que era muito dinheiro e tempo desperdiçado, então pularam essa parte.
E ela não lembra, não sabe como nem de onde, mas começou a gostar dele. Começou a pensar nele, cogitar ficar só com ele, fazer parte do filme dele. Pode ter sido a mensagem de quando ele andava longe, a forma como ele dizia “amor” – ainda que pra ser amor faltasse muito – o jeito natural que ela xingava ele pra que ele nunca mais cortasse o cabelo daquele jeito horrível. E só nesses momentos que eles ficavam juntos, na faculdade ela mal o via, e se via passava reto e observava de longe ele falando com outras garotas. Mas ela sabia que naqueles momentos, durante e depois do filme ele era dela, ainda que fosse só na sexta-feira, ainda que ela não soubesse nada dele no resto do final de semana. Nesses momentos e quando iam à locadora. Na locadora, vistos como namorados, como um casal que se conhece há anos, que se entende, que se liga todos os dias da semana. Na locadora, fazendo brincadeirinhas, abraçando por trás, escolhendo o filme juntos. Na locadora, escolhendo um filme de provável final feliz, mesmo sabendo que às 04h13min da manhã ele a largaria em casa, logo após os créditos finais.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
domingo, 18 de janeiro de 2009
changing lanes pt. II
A resposta veio rápido. Quando eu vi a foto uma estranha reação química começou a acontecer na região do abdômen (e não dizem que tudo aqui dentro são apenas reações químicas?) e eu juro que não era vontade de ir ao banheiro, era a mesma sensação de quando acordei do sonho em que eu tive essa premonição. Engraçado. Eu não acreditava em tratamento de choque, mas tenho quase certeza que tinha a ver com a sensação que eu senti durante quase 24 horas.
Depois desse dia, a curiosidade foi automaticamente dispersada para outros interesses, nada relacionados a você. Ou a vocês. Uma curiosidade que permaneceu aqui durante TODO esse tempo, agora não desperta sequer uma ânsia, já não existe qualquer agonia em acessar o orkut, em entrar no msn, em passar perto da sua rua. Eu te deletei da minha vida.
Depois de tanto dar a cara ao tapa eu finalmente vi que no fundo do poço tinha uma mola me esperando. E eu vi um coração calejado mas vivo, pulsante. Uma pessoa mais forte, uma pessoa que viu que sim, as pessoas vão me decepcionar e eu vou ter que lidar com isso. E no meio de tantas verdades que eu vomitei na sua cara naquela noite, eu lembro bem de ter te falado: Você foi a maior decepção.
Vão dizer que se eu realmente tivesse superado eu não perderia o meu tempo escrevendo ou falando sobre isso. Talvez até estejam certos, embora eu não tenha derramado mais nenhuma lágrima por essa história e me sinta bem pra caralho, eu posso ver que não vou morrer sem nenhuma cicatriz. Eu não ia mais escrever sobre isso, mas eu precisava.
Depois desse dia, a curiosidade foi automaticamente dispersada para outros interesses, nada relacionados a você. Ou a vocês. Uma curiosidade que permaneceu aqui durante TODO esse tempo, agora não desperta sequer uma ânsia, já não existe qualquer agonia em acessar o orkut, em entrar no msn, em passar perto da sua rua. Eu te deletei da minha vida.
Depois de tanto dar a cara ao tapa eu finalmente vi que no fundo do poço tinha uma mola me esperando. E eu vi um coração calejado mas vivo, pulsante. Uma pessoa mais forte, uma pessoa que viu que sim, as pessoas vão me decepcionar e eu vou ter que lidar com isso. E no meio de tantas verdades que eu vomitei na sua cara naquela noite, eu lembro bem de ter te falado: Você foi a maior decepção.
Vão dizer que se eu realmente tivesse superado eu não perderia o meu tempo escrevendo ou falando sobre isso. Talvez até estejam certos, embora eu não tenha derramado mais nenhuma lágrima por essa história e me sinta bem pra caralho, eu posso ver que não vou morrer sem nenhuma cicatriz. Eu não ia mais escrever sobre isso, mas eu precisava.
changing lanes pt. I
Eu não ia mais escrever sobre isso. Mas eu preciso escrever, sabe? São tantas conclusões, peças tortas que se encaixam perfeitamente. Assim eu vejo que o mundo gira, gira loucamente e sempre fez isso comigo, sempre me deixou tonta de tanto que girou e mudou as coisas na minha vida.
Eu sabia onde estava me metendo. Eu sabia tudo, mesmo que não entendesse, eu sabia o que devia ser feito, mesmo que eu não estivesse fazendo a coisa certa. Os conselhos eram dados e exterminados por eu mesma no minuto seguinte. Promessas jogadas na lata do lixo, juntamente com a minha moral e o meu amor-próprio. Ora, logo eu, que sempre fui a consciência, o ombro dos meus amigos, logo eu que não entendia como as pessoas podiam manter relacionamentos doentes por 3, 4, 5 anos (uma vida, não?), logo eu que sabia colocar um ponto final e seguir a vida facilmente.
“Quem muito se abaixa o cu aparece”, ouvi uma vez de uma pessoa que eu considero uma das melhores pessoas que já cruzei na vida até hoje. E durante esses anos o meu cofrinho ficou mais exposto que o do pedreiro da obra da esquina. Para todos, você saiu ganhando, quando eu acho que foi você quem mais perdeu.
De repente me faltou memória e as lembranças ruins foram temporariamente apagadas, dando lugar a uma idealização que eu fiz de você. Eu te dei um fardo muito grande pra carregar, um fardo que você não estava preparado e – pensando bem – não merecia. Porque aí a memória voltou e lembrou das suas grosserias, do seu descaso, da falta de consideração, do egoísmo, de esperar o táxi sozinha lá embaixo, de você me fazer sentir lixo, de cenas totalmente desnecessárias, das tuas palavras vazias, das contradições absurdas, de ser tua só no escuro, de não ter mais nada de você e no fundo pensar que tinha, que ia passar, que você iria acordar e ver a grande merda que estava fazendo. De repente eu percebi o quão pequeno você é e o quão grande eu sou, apesar dos 1,58 de altura e do meu cofrinho ter aparecido pra Deus e o mundo.
O velho papo de achar que as pessoas fariam o que eu faria, de esperar atitudes no mínimo dignas, de pessoas não-dignas de nada que seja referente a mim.
Eu sabia onde estava me metendo. Eu sabia tudo, mesmo que não entendesse, eu sabia o que devia ser feito, mesmo que eu não estivesse fazendo a coisa certa. Os conselhos eram dados e exterminados por eu mesma no minuto seguinte. Promessas jogadas na lata do lixo, juntamente com a minha moral e o meu amor-próprio. Ora, logo eu, que sempre fui a consciência, o ombro dos meus amigos, logo eu que não entendia como as pessoas podiam manter relacionamentos doentes por 3, 4, 5 anos (uma vida, não?), logo eu que sabia colocar um ponto final e seguir a vida facilmente.
“Quem muito se abaixa o cu aparece”, ouvi uma vez de uma pessoa que eu considero uma das melhores pessoas que já cruzei na vida até hoje. E durante esses anos o meu cofrinho ficou mais exposto que o do pedreiro da obra da esquina. Para todos, você saiu ganhando, quando eu acho que foi você quem mais perdeu.
De repente me faltou memória e as lembranças ruins foram temporariamente apagadas, dando lugar a uma idealização que eu fiz de você. Eu te dei um fardo muito grande pra carregar, um fardo que você não estava preparado e – pensando bem – não merecia. Porque aí a memória voltou e lembrou das suas grosserias, do seu descaso, da falta de consideração, do egoísmo, de esperar o táxi sozinha lá embaixo, de você me fazer sentir lixo, de cenas totalmente desnecessárias, das tuas palavras vazias, das contradições absurdas, de ser tua só no escuro, de não ter mais nada de você e no fundo pensar que tinha, que ia passar, que você iria acordar e ver a grande merda que estava fazendo. De repente eu percebi o quão pequeno você é e o quão grande eu sou, apesar dos 1,58 de altura e do meu cofrinho ter aparecido pra Deus e o mundo.
O velho papo de achar que as pessoas fariam o que eu faria, de esperar atitudes no mínimo dignas, de pessoas não-dignas de nada que seja referente a mim.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
how great you are.
The circle now has come to it's end
You've found somebody new to change
You try to rearrange-put the girl in a pretty cage
It just shows how brave you are
I gave you all and then some more
But that was not enough
I gave and lost and lost and gave
No matter how great the cost
Lets see how much this new girl can take
Lets see how long she can fake
You know you'll never be satisfied
You're the one that lies
It just shows how great you are
É. E foi assim que eu virei mais um exemplo, mais um conselho vivo de que as coisas acontecem, de que as pessoas são eternas egoístas e assim machucam os outros - e por que não - até elas mesmas. Eu virei parte de um passado, assim como um dia fiz outros tornarem-se mais uma lembrança em folhas arrancadas do calendário. Depois de tanto tempo questionando, lamentando e sofrendo, eu simplesmente não tenho mais nada a ver com isso.
A vida continua pulsando, com os olhos fechados um suspiro de alívio predomina. I'm feeling alive, I was loaded as dice.
You've found somebody new to change
You try to rearrange-put the girl in a pretty cage
It just shows how brave you are
I gave you all and then some more
But that was not enough
I gave and lost and lost and gave
No matter how great the cost
Lets see how much this new girl can take
Lets see how long she can fake
You know you'll never be satisfied
You're the one that lies
It just shows how great you are
É. E foi assim que eu virei mais um exemplo, mais um conselho vivo de que as coisas acontecem, de que as pessoas são eternas egoístas e assim machucam os outros - e por que não - até elas mesmas. Eu virei parte de um passado, assim como um dia fiz outros tornarem-se mais uma lembrança em folhas arrancadas do calendário. Depois de tanto tempo questionando, lamentando e sofrendo, eu simplesmente não tenho mais nada a ver com isso.
A vida continua pulsando, com os olhos fechados um suspiro de alívio predomina. I'm feeling alive, I was loaded as dice.
Assinar:
Postagens (Atom)