Eu não ia mais escrever sobre isso. Mas eu preciso escrever, sabe? São tantas conclusões, peças tortas que se encaixam perfeitamente. Assim eu vejo que o mundo gira, gira loucamente e sempre fez isso comigo, sempre me deixou tonta de tanto que girou e mudou as coisas na minha vida.
Eu sabia onde estava me metendo. Eu sabia tudo, mesmo que não entendesse, eu sabia o que devia ser feito, mesmo que eu não estivesse fazendo a coisa certa. Os conselhos eram dados e exterminados por eu mesma no minuto seguinte. Promessas jogadas na lata do lixo, juntamente com a minha moral e o meu amor-próprio. Ora, logo eu, que sempre fui a consciência, o ombro dos meus amigos, logo eu que não entendia como as pessoas podiam manter relacionamentos doentes por 3, 4, 5 anos (uma vida, não?), logo eu que sabia colocar um ponto final e seguir a vida facilmente.
“Quem muito se abaixa o cu aparece”, ouvi uma vez de uma pessoa que eu considero uma das melhores pessoas que já cruzei na vida até hoje. E durante esses anos o meu cofrinho ficou mais exposto que o do pedreiro da obra da esquina. Para todos, você saiu ganhando, quando eu acho que foi você quem mais perdeu.
De repente me faltou memória e as lembranças ruins foram temporariamente apagadas, dando lugar a uma idealização que eu fiz de você. Eu te dei um fardo muito grande pra carregar, um fardo que você não estava preparado e – pensando bem – não merecia. Porque aí a memória voltou e lembrou das suas grosserias, do seu descaso, da falta de consideração, do egoísmo, de esperar o táxi sozinha lá embaixo, de você me fazer sentir lixo, de cenas totalmente desnecessárias, das tuas palavras vazias, das contradições absurdas, de ser tua só no escuro, de não ter mais nada de você e no fundo pensar que tinha, que ia passar, que você iria acordar e ver a grande merda que estava fazendo. De repente eu percebi o quão pequeno você é e o quão grande eu sou, apesar dos 1,58 de altura e do meu cofrinho ter aparecido pra Deus e o mundo.
O velho papo de achar que as pessoas fariam o que eu faria, de esperar atitudes no mínimo dignas, de pessoas não-dignas de nada que seja referente a mim.
domingo, 18 de janeiro de 2009
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"Quem muito se abaixa o cu aparece" - eis o humor que adorei.
ResponderExcluirGenial!