quinta-feira, 2 de abril de 2009

tem o certo, o errado e tem todo o resto.


Engraçado. Eu estava voltando pra casa ouvindo Cazuza interpretar Cartola na clássica “O Mundo é um Moinho” e quando cheguei vejo que o filme “Cazuza – o tempo não para” está passando na rede globo. Eu já assisti esse filme muitas vezes, e lembro que primeiro fiquei um pouco horrizada com a vida promíscua que ele levava e a mãe permissiva que ele tinha: Por que uma pessoa com tamanha inteligência, que ele expunha nas letras que fazia, levaria uma vida sem limites dando a ela um fim precoce?
Vendo esse filme hoje, já não me sinto assim. Eu vejo esse filme nos lugares que eu freqüento, nas pessoas que eu convivo, em conhecidos, no próprio mercado de trabalho que eu atuo. E aí eu fico pensando se existe a coisa certa a ser feita. Quem disse que o cara que leva a vida assim não é feliz? Quem disse que eu sou melhor que ele? Quem disse que no fundo quem dá risada por ter se dado conta da grande loucura que a gente vive e fazer parte dela da forma que lhe convém não é esse cara que age fora dos padrões moralistas da sociedade? Convenhamos, todo mundo já tentou pregar moral em alguma situação e depois foi lá e fez a mesma coisa. Nós somos assim, naturalmente hipócritas e eu acho isso muito humano, não havia como ser diferente. Eu estou em transição, e à medida que atinjo minha maturidade vou revendo muitos conceitos, deixando pré-conceitos de lado e enxergando tudo sob outro ângulo. Hoje mesmo eu conversava com um amigo sobre como é foda quando a gente se dá conta que nossos pais não sabem a verdade absoluta sobre a vida e estão muito longe de saber. Aliás, todos nós estamos. Eles simplesmente tentam no passar os valores mais importantes, mas quem dá o real sentido pra vida, somos nós mesmos.
E eu me sinto diferente da grande maioria, de gente normal, de coisas normais. Aí também me dou conta que até quem quer ser diferente acaba se parecendo, vide os cortes de cabelo da Sexton e o armário do público que freqüenta o Beco. Mas a diferença da qual eu falo é a de estar atenta às coisas simples da vida, de sugar todas as sensações e emoções que ela pode me proporcionar. Eu não quero viver como uma máquina, trabalhar para sobreviver e chegar exausta em casa todos os dias. Eu também não quero ser sustentada pelos papais e muito menos viver de porre em festas até o amanhecer. Esse texto não é uma apologia às drogas, a banalização do sexo ou qualquer coisa do tipo. É apenas uma constatação de que não existe uma fórmula para viver, a felicidade é percebida de uma forma diferente por cada um, por suas vivências e pelo que acredita. Existem pessoas incríveis de ambos os lados. Que lados? O certo e o errado são duvidosos. Tem todo o resto.

Um comentário:

  1. concordo contigo, pluma. já pensei muito no certo e errado...e a verdade é que não existem em um conceito geral. o que realmente importa é no que tu acreditas não que sejas o certo, mas sim que sejas o caminho da tua felicidade.
    te amo!

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